Um túmulo virtual, onde poderei depositar tudo que pretender esquecer ou guardar pelo resto dos meus dias.
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Finado
Segunda-feira, Dezembro 29, 2008

O final Feliz


Cheguei em Natal. Aliás, chegamos Uliana e eu. Voltei encantado com a Ilha do Amor, São Luis do Maranhão. Gostei de quase tudo por lá: as comidas, os costumes, a arquitetura, as pessoas e, claro, as festas.

Como é que se consegue fazer uma festa de reggae ficar tão boa daquele jeito? E pelo um custo quase simbólico de R$ 3,00.

O reggae foi no penúltimo dia, com ressaca estendida pela metade do último dia. A noite reservava um desfecho especial: show do maranhense Zeca Baleiro. As luzes do palco piscavam no ritmo agitado das músicas. A fumaça de gelo seco causava um clima de misticismo naquilo tudo, enquanto eu pensava que “estava mesmo acabando a minha viagem. E que ótima ela foi!”.

Vamos às estatísticas:

01 companheira por toda a viagem
02 Estados visitados
04 viagens de pau-de-arara
05 aeroportos que passamos
06 rodoviárias que passamos
06 diferentes hospedagens
08 cidades que conhecemos
11 camas diferentes que dormi
13 dias em viagem
13 dias de calor

Números inestimáveis:
- Quantos pontos turísticos visitamos (contei até 20 e parei).
- Quantas novas pessoas conheci (contei até 28 e parei)
- Quantos foram os convites que eu fiz para conhecer Natal.
- Quantos prometeram aceitar e cumprir o convite.


Sepultado por Finado Dante e tal, às 12:21
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Sexta-feira, Dezembro 26, 2008

Alcântara



Saímos do albergue cedinho para pegar o barco que nos levaria a Alcântara. No meio do balançar pergunto ao guia quando tempo faltava para chegar à ilha de Alcântara. Para o meu se tocar, ele esclareceu “Alcântara é continente. Ilha é São Luiz”. É verdade. Eu me lembrara naquele momento. Mas alguém discorda que um lugar onde se chega de barco é estranho que seja ilha?

A cidadela tem nada menos que 360 anos de história reconhecida (porque se acredita que haja mais coisa a ser contada pelos primeiros nativos de lá). Alcântara significa braço de areia molhado, está a dois graus abaixo da linha do equador, tem muitas ruínas de prédios históricos e moeda própria: o guará.

Lá nós conhecemos uma ruína de um mercado de negros. O guia Xibé é negro com toda melanina que pode ter uma pessoa de sua raça. Apesar do seu tom brincalhão por todo o passeio, ele deixou claro que odeia a igreja católica por tudo que ela fez ao seu povo. Ponto para ele. Eu também.

Duas das maiores ruínas eram casas para receber Don Pedro I (sendo a da foto uma delas) quando ele visitasse o lugar. Ele não precisaria de duas casas num mesmo lugar, sobretudo por ser tão pequeno. É que ambas eram “presentes”. Dois partidos disputavam a administração de Alcântara. Ganharia quem o rei nomeasse (ou quem mais o agradasse). Entretanto, ele não foi e os dois investimentos sequer foram concluídos. Seria até engraçado se não tivesse sido tanto desperdício.

Tambor de Crioula

Mas o bom mesmo de ontem foi a noitada. A cidade estava inteiramente engessada por causa do feriado natalino. Até os restaurantes fecharam. O centro histórico parecia quase abandonado. Quase. Graças a um grupo de artistas independentes nós pudemos conhecer o “Tambor de Crioula”. Eles juntaram alguns amigos para tocar, algumas amigas para dançar e algumas cervejas para vender. Aquele lugar completamente desestruturado para um evento daqueles foi o ponto mais cultural da nossa viagem.
Enquanto os homens tocavam, as mulheres rodavam e nós turistas bebíamos cerveja. A nossa mesa era grande e tinha gente da Austrália, Inglaterra, Suíça e os animados brasileros. Mas hoje, 26, não é mais feriado e eu preciso me divertir de novo.


Sepultado por Finado Dante e tal, às 21:40
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Quarta-feira, Dezembro 24, 2008

São Luiz do Maranhão


Até chegar a São Luiz, só ouvi desestímulo. Que é feio, que é sujo, mal-cuidado e decepcionante. Até concordo que é mal-cuidado. Mas feio e decepcionante está londe de ser. As vielas e becos pouco cuidados até dão um clima poético ao centro histórico. Resultado: Eu já estou adorando a capital do Maranhão. E a partir de agora, quem falar mal daqui vai ter que se ver comigo.

O albergue fica bem no centro histórico. A noite da chegada foi cheia de cuidados. No ônibus tinha um aviso que pedia aos passageiros para facilitarem o troco, pois regularmente o caixa do cobrador era esvaziado devido aos assaltos ocorridos. Ao descer do ônibus, nós andamos com as malas e as máquinas fotográficas, à noite, por ruas desabitadas e cheias de pessoas que, de longe, notavam que éramos turistas. Na rua do albergue funciona o Roots Bar - especializado em reggae que foi muito bem recomendado -, mas imagine chegar à noite, num lugar que não se conhece, e dar de cara com vários bêbados justamente na entrada onde se tem que passar obrigatoriamente. Foi assim. Mas, felizmente, exatamente um desses bêbados é que nos mostrou onde estava a hospedaria. Chegamos, nos instalamos e já saímos para jantar com um dos meus companheiros de quarto: Roman, um australiano de 20 anos que está tentando aprender português. Uliana diz que é falta de educação para com ele. Mas eu nunca resisto e rio sempre que ele tenta falar a língua brasileira. Quando a uma foto fica ruim, ele fala “Nô bom. Nô bom”. Engraçado mesmo foi ele dizendo que adorava sorvete de cocô.

Comemos um cachorro-quente e investimos o resto da noite bebendo cerveja e ouvindo reggae nessas vielas do centro histórico. Ainda apareceu um casal argentino que está no mesmo albergue e também veio beber conosco. E fomos madrugada adentro em inglês, espanhol e portunhol.

Para a manhã de hoje, havíamos combinado com o casal argentino de visitar a ilha de Alcântara. Desencontramos-nos. O barco saiu antes da hora marcada por causa da maré que baixava e os brasileiros, mais o australiano, ficaram. Com um mapa na mão, percorremos os pontos turísticos que ele destacava. Mas uma coisa nos intrigou: Por que os museus não estavam abertos? Será que só abririam à tarde?

Na expectativa que abrissem no horário vespertino, fomos almoçar. A gastronomia maranhense é um espetáculo! Quase todos os pratos continham camarão. Delícia! E para não sair do regionalismo, bebi guaraná Jesus para acompanhar. Jesus não agradou a todos. Inclusive eu só consegui me agradar depois da terceira vez que ele entrou em mim. Agora eu aceitei Jesus. (Amém)

A resposta sobre os museus veio de uma vendedora da loja de artesanatos: “Porque todos estão em recesso de natal. Só voltarão a abrir em seis de janeiro.” Sem podem ir aos museus, que tal um cineminha? Uli e eu tomamos um ônibus e fomos ao shopping, rodamos atrás do cinema desviando os tantos retardatários que compravam os presentes de natal e... tchan... o cinema também não funcionou hoje.

Ninguém se atreva a imaginar que só porque eu não fui a Alcântara, nem entrei nos museus, nem fui ao cinema, não gostei do meu dia. Eu adorei andar pelas ruas, becos e vielas de São Luiz do Maranhão. E feliz Natal para todos. Ho Ho Ho!

ps: troquei as fotos do post anterior.


Sepultado por Finado Dante e tal, às 19:08
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Terça-feira, Dezembro 23, 2008

Agora em detalhes


RIO CARDOSA
O relógio despertou às 07h. Tomamos café e vestimos as roupas de banho. O elástico da sunga me apertaria pelas seguintes doze horas. Mas foi tudo tão divertido que eu nem notei esse incômodo. Pela manhã, novamente num pau-de-arara, fomos ao rio Cardosa. Na agência de turismo, fomos informados que só nós dois queríamos fazer o passeio. Mas quando o carro saiu de Barreirinhas o nosso grupo contava com onze turistas. No banco da frente, uma carioca com uma filha pré-adolescente muito enjoada e uma amiga maranhense metida a besta. No banco do meio – o que nós estávamos – o casal maranhense muito simpático: Raissa e Pedro. Mas o que divertiu mesmo a viagem foi a família cearense que estava no banco de trás: Madeira (pai), Juliana (mãe), Bárbara e Rebeca (filhas). Todos muito simpáticos e engraçados. Conversei tanto com eles nos 28 km até o rio, que fiquei com o pescoço doendo. No meio dessas conversas todas, ainda descobri que eles moram em Natal e que temos amigos em comum. Que mundo nanico!

Esse entrosamento contribuiu muito para o passeio ter sido fantástico. O rio Cardosa é estreito,de águas claras nas partes em que o fundo é areia. Cada um pegou sua câmara de ar e deixou a correnteza levar. Entre as piadas de Madeira e os gritos de “Socorro! A bóia ta indo pro mato!” de Juliana, percorremos o trajeto rapidinho. No final eu queria subir para fazer tudo de novo.

LENÇÓIS MARANHENSES
À tarde nos separamos de todos eles porque ficamos em grupos diferentes para conhecer O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Mais uma hora num pau-de-arara para chegar até a entrada do parque. Tempo suficiente para puxar papo com o casal catarinense que dividia o banco conosco: Vanderlei (ou apenas Vander) e Joelma.

O Parque: areia, areia, areia, areia; vento, vento, vendo, vento; Algumas lagoas de água de chuva e alguma pouca vegetação. Dizer que é lindo é redundante, é banal. Mas como descrever aquilo? Lembrei muito das minhas aulas da Pós em Meio Ambiente porque, lá, aprendi que aquela areia vem do deserto do Saara. Há quem duvide. Eu acredito. Mas que diferença essa polêmica vai fazer naquela beleza toda? Natal tem dunas lindas também. Mas em se tratando do tamanho... é como comparar um dinossauro a uma lagartixa.

Quando se está no meio daquilo tudo, até onde seu olho alcança, não dá para notar muita diferença sobre o que está ao seu redor e o que está mais à para frente. Tudo é areia. Intrigante é entender porque ela nunca está quente. Os guias mesmo orientam para deixar os chinelos no carro porque a areia não vai queimar. Nessa época em que viemos é o período de seca, então as lagoas estão com pouca água. Mas nada que prejudique a nossa viagem e a boa impressão.

Insatisfeito por ter visto apenas uma fração pequena do parque, Vander perguntou pelo passeio de avião. Todos toparam de cara. Menos a namorada dele porque estava com medo do teco-teco. E eu porque achei caro pagar R$ 160,00 por 25 minutos de vôo. Mas considerando que eu não sei quando poderia fazer isso outra vez, topei.

Hoje pela manhã saímos Uliana, Vander, eu e um casal de Brasília para voar sobre os lençóis. Joelma não foi. O piloto era muito bom, todos estavam muito felizes pelo passeio, o parque parece infinitésimo (existe superlativo para infinito?), mas pela primeira vez eu senti enjôo.
Sempre achei que era balela essa história de enjoar em avião, em barco, etc... Mas hoje foi a minha vez. “Tem saco de vômito?”, perguntei. Vander pensou que era brincadeira, o piloto deu um risinho de canto de boca e não respondeu. Tornei a perguntar para que acreditassem em mim. “Eu pedi para colocar no avião, mas o menino que trouxe vocês esqueceu. Fique aí calminho que a gente desce já”, essa foi a solução encontrada pelo piloto. Enquanto isso, tudo que eu poderia fazer era respirar fundo e aproximar o rosto do condicionador de ar que quase não fazia efeito. Não vomitei.

Se eu gostei?
Adorei! Valei cada centavo.
Se eu faria de novo?
Claro, mas da próxima vez eu vou comer só depois da aterrissagem.

Hoje é o dia de deixar Barreirinhas e seguir para São Luis do Maranhão, nosso último destino. E que seja tão bom quanto os anteriores.


Sepultado por Finado Dante e tal, às 11:05
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Segunda-feira, Dezembro 22, 2008

O Principal


Visitamos o Rio Cardoso e o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. O computador está falho, portanto, só tenho uma coisa a dizer:

Hoje foi um dia MASSADEMAIIISSS!!!



Sepultado por Finado Dante e tal, às 20:53
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Domingo, Dezembro 21, 2008

A primeita noite maranhense


Obs.: Inicie pelo post abaixo.

Paulino Neves é uma cidade minúscula, como já era de se esperar. A Nova Schin custa R$ 3,00, mas comida é bastante barata. As ruas não têm calçamento e a noite não tem vida, nem energia constantemente. Quando estávamos lá, a energia acabou às 20h. Era o jeito dormir. Afinal, no dia seguinte o único transporte para Barreirinhas sairia às cinco da matina.

Tomamos um suco de goiaba e o segundo pau-de-arara. Dessa vez dois carros saíram juntos. Se um deles tivesse problemas, o outro socorreria. E assim foi. Vimos o sol nascer durante o prego de um dos carros. Enquanto Uliana tirava fotos, eu matava muriçocas. Não demorou para que tomássemos a estrada(?) novamente. Apesar de aquele chacoalhar todo, ainda conseguimos cochilar.

Chegamos a Barreirinhas às 7h15. Os passeios sairiam às 8h e ainda teríamos que achar pousada. Corre-corre. Não poderíamos desperdiçar aquela manhã. Depois de bater uma três portas pechinchando preço, achamos uma que pediu R$ 30,00 para nos hospedar. Barato demais para um quarto com três camas de solteiro e uma de casal. “E se chegar mais gente? A senhora vai colocar neste quarto?”, perguntei. “Não. Eu coloco no outro”, respondeu Dona Teresa. Estava bom demais para ser verdade. Minha felicidade já fazia som de caixa registradora. $$ TLIM $$. “Mas esse preço é pelo quarto?”, quis saber Uliana. E dona Teresa esclareceu que “É 30 reais por pessoa”. Que pena. Derrubou nossos castelos. Mas não era tão caro assim. Resolvemos deixar as malas. Até porque não tínhamos mais tempo.

O primeiro passeio foi pelo rio Preguiça. Nome bem sugestivo para quem acordou às 4h da manhã. O rio é de água doce, mas vai ficando salobra à medida que se aproxima do mar. Aqui em Barreirinhas é litoral, mas tem um aspecto danado de interior com floresta. O contorno do rio é repleto de palmeiras, carnaubeiras e pés de açaí (que aqui se chama Jussara). O dia fez um sol lindo. A noite deve ser bem dormida, pois amanhã é o dia dos Grandes Lençóis.


Sepultado por Finado Dante e tal, às 21:06
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Cruzando os Estados


O rio Parnaíba é a divisa entre os Estados do Piauí e Maranhão. Bastou cruzá-lo para perceber algumas diferenças. A estrada esburacou de repente; existem muitas casas com teto de palha. O Delta era cheio de placas sobre preservação e educação ambiental. Já no Maranhão eu vi muitas placas enferrujadas. Algumas delas nem dava para ler. Mas pela conservação, devia ser anúncio de quando a coca-cola foi lançada. No MA há meninos que se alimentam de luz. O ônibus pára e eles correm para a frente formando um mar de pipocas. Só é possível notar que são meninos quando as pipocas se movem sobre as cabeças deles impulsionadas por uma venda que custa R$ 0,50.

Quando estávamos em Parnaíba buscamos informações sobre como ir para Barreirinhas – a cidade do Maranhão por onde se chega ao Parque dos Lençóis. No guichê de informação soubemos que se deve pegar um ônibus até a cidade de Tutóia e, de lá, um pau-de-arara até Barreirinhas. [PAU-DE-ARARA: O termo é originário do costume de se amarrar aves, para a venda, numa vara, onde as mesmas ficam penduradas, para o transporte. Por analogia, o transporte tão ilegal quanto o comércio de aves adotou o mesmo nome. Enquanto pesquisava para montar o roteiro da viagem, até me animei com a idéia de pegar um pau-de-arara num trechinho. Mas depois de tanta agonia, mudei de idéia] Batemos perna atrás dessa empresa de transporte que não atende na rodoviária. Os dois bilheteiros confirmaram a informação. Ainda nos certificamos sobre o horário para pegar o pau-de-arara. Tudo estava indo muito bem até chegarmos a Tutóia e descobrir que precisaríamos de dois paus-de-arara. E que o segundo só sairia no dia seguinte de outro município chamado Paulino Neves.

Medo. Será que a partir daquele momento ia dar zebra? Em pouco tempo eu lembrei dos filmes “O Albergue” e “Turistas”. Vão roubar minhas coisas? Vão vender meus órgãos? Vão tirar a virgindade da minha prima? (hahaha). Para ficar ainda pior, enquanto esperávamos naquela rodoviária nada higiênica, com paredes que mais pareciam de banheiro público, cachorros defecando, chão imundo, cartazes de shows como o de Benerval Silva – O cantor pop brega mais romântico do Brasil, passou o carro da funerária “Paz Eterna”. Moscas, fedor, catinga, odor por todos os lados... Uliana me faz perceber que Tutóia é coberta por urubus. Eles já estavam nos aguardando. Socorrooooo!!!

Um motorista nos abordou para irmos no pau-de-arara dele. Viria em meia hora nos buscar. Passou esse tempo. Passou o dobro e triplo disso e... nada. Eu já nem sabia se queria mesmo ir. Já havia perguntado o preço da passagem para São Luiz e tudo quando ele resolveu aparecer.

Eu estava prestes a ir num transporte assim até uma cidade onde não há estradas. E quando ocorre acidente?

Mas mochileiro que se preze não tem esse medo todo. Se a idéia é se molhar ao sair na chuva, então vamos. Ao custo de R$ 8,00 o pau-de-arara nos levou até Paulino Neves. Ainda tivemos a sorte de ir na boléia. Tudo correu bem. UFA!


Sepultado por Finado Dante e tal, às 21:06
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Sexta-feira, Dezembro 19, 2008

Delta do Parnaíba


Quem sai de Natal e vai a outra praia não vê a menor graça. Correto? Errado. A minha carteira de identidade registra Natal como o lugar no meu nascimento, mas eu fiquei encantado com o Delta do Parnaíba.

A primeira sensação de prazer foi relembrar o que um condicionador de ar pode fazer. Na pousada da Parnaíba tem um. Apesar de aqui ser mais bem ventilado que Teresina (aliás, apesar de aqui ser ventilado), eu estava com saudades de saber como é meu corpo enxuto. Bendito seja o inventor do ar-condicionado. Porque ele não é tão famoso quanto Gram Bell Ou Newtom? Que injustiça!

Voltando às belezas naturais... já acordei pensando que ia conhecer o local que serviu de locação para as fotos da Playboy de Gyselle-BBB8. Procurei e até perguntei ao guia, mas ela não estava por lá, e não costuma mais aparecer por aqui. Mesmo assim tive outros prazeres mais infantis. As demais boas sensações foram (1) passear de lancha, (2) descobrir, vendo com meus olhos, que existem macacos no mangue e que eles comem caranguejo e (3) presenciar Uliana catando caranguejo no manguezal.

O Delta do Parnaíba é lindo. Vale a pena conhecer. A viagem está me encantando. Vou colocar algumas fotos para vocês terem idéia.

Areia quente

Cadê Gyselle?

"Meta mais fundo", dizia o professor de caça aos caranguejos.

Quem disse que eu não curto ócio?


Sepultado por Finado Dante e tal, às 20:40
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Piripiri...


Não. Eu não comecei o post com um trecho da canção de Gretchen. Piripiri é o nome do município onde está o Parque Nacional das Sete Cidades. Ainda bem que desde 1961 a área está sob guarda pública. O lugar é magnífico e está muito bem cuidado. O nome é por causa de uma lenda que conta que existiam sete reinos. A princesa do reino sete estava de casamento compromissado e marcado com o príncipe do reino dois. Porém o jovem garoto, sem entender quanto valiosa era a decisão que seus pais tomaram de unir os filhos e os reinos, se apaixona pela princesa do reino quatro. E o pior: logo no dia que seu casamento estava marcado. Inconformada, a rainha do reino sete amaldiçoou a gatuna do seu genro e o genro também, claro. O casalzinho se transformaria em lagartos. A rainha do reino quatro não poderia deixar barato tamanho mal que sua filha sofrera. Contratou e pagou muito bem ao bruxo do reino três para transformar tudo e todos em pedra. O bruxo, então, exagerado, transformou todos os reinos, inclusive os que não estavam envolvidos na briga, em pedra.

Calma, caro leitor, isso não significa um final trinte, ainda. Reza a lenda que o alguém que descobrir os sete segredos deixados pelo bruxo quebra o feitiço e ainda tem direito a escolher com quem quer se casar nessa história. Enquanto não se descobre, os mochileiros como eu visitam as sete cidades, que ficam separadas no parque amaldiçoado, achando tudo isso muito engraçado.

P.s: O post abaixo é novo também.


Sepultado por Finado Dante e tal, às 20:07
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Calor, cajuína, cervejas e regionalismos


Entre uma gota de suor e outra, eu pensava com meus botões derretidos: quem acusar Natal de ser quente, terá que se ver comigo. Eu não diria que Teresina é quente. É algo muito mais aquecido do que o simples adjetivo “quente”. Afinal, não existe nenhum adjetivo capaz de descrever aquela temperatura tão alta. Os próprios teresinenses fazem piadinha que se um deles morrer e for para o inferno, voltará para buscar o edredom porque não está acostumado que a temperatura amena do inferno. E nesse calor todo, no "pingo da mei-dia", ainda tomamos cachaça Mangueira com Cajuína. A mim agradou mais o extrato do caju. Não é o refrigerante homônimo. É um extrato mesmo. Nem conservantes tem.

Mas assim como o clima, o calor humano também surpreende. Eu já esperava ser muito bem acolhido, mas fui muito, mas muitíssimo bem acolhido mesmo.
Uliana e eu saimos com Joana e um casal amigo dela. Era noite, mas alguém esquecera de desligar o aquecedor. O nome do bar eu não lembro, mas recordo-me bem da decoração rústica. A cerveja estava inversamente proporcional à temperatura ambiente. Até aí nada de estranho. Até que pediram os petiscos. Quem disse que eu não como carne de bode? Comi. E antes dele, às 21h, veio um leve feijão tropeiro com muito torresmo de entrada. E vamos na cerveja pra resfrescar...

Nos papos sempre rola uma tiração de onda com os regionalismos dos visitantes. Mas eu não aceito ser motivo de chacota por falar o número trinta-e-um (31). Segundo Joana, Erico e Manu, o correto é falar “TRINTCHIUM”. Também estranhei muito o jeito deles descreverem uma vontade muito grande de qualquer coisa. Até a avó de Joana fala que “está com o cu cheio d`água” quando quer qualquer coisa imediatamente. Por exemplo: estou com o cu cheio d’água para sair hoje à noite. Dá pra entender uma coisa dessas?


Sepultado por Finado Dante e tal, às 20:07
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Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

Minha vida mudou e eu também.


Na verdade, eu não mudei. Eu me mudei. Saí da casa dos meus pais e agora moro só. Mas isso é um acontecimento que eu conto depois. O que me fez vir ao blog hoje foi para contar meus dias fora de casa e fora de Natal.

Estou em férias (AH! Como é férias é bom!). Desta vez não sai do Brasil, nem do Nordeste. Peguei um avião e vim até Teresina, no Piauí. A viagem não termina aqui neste Estado, mas sim no vizinho Maranhão.

Quem acompanha meu blog, agora está fazendo piadinhas do tipo: Em 2006 ele gozou as férias no Peru; em 2007 foi para Karauli, na Índia. Agora vai ao Maranhão. Pois é, a culpa é desses lugares que têm nomes esquisitos.

Como estava dizendo, ainda não cheguei ao Maranhão. Desde ontem estou em Teresina-PI. Minha prima Uliana é minha companheira de viagem. Ela prometeu que não brigaríamos. E que se ela se arretasse, tomaria uma boêmia (nesse dois dias isso ainda não foi preciso. Hahaha). É melhor eu não provocar. Porque se ela se estressar, eu é que tomo... porrada.

Aqui em Teresina nós estamos hospedados na casa de Franciluz. É um Teresinense que conhecemos, pessoalmente, aqui. Uliana fez contato pela Internet antecipadamente pedindo hospedagem e ele nos aceitou. Até nos buscou no aeroporto. Acreditem, Internet pode tudo.

Nossa guia local é a minha amiga Joana Pingo de Ouro. Jô eu já conhecia virtualmente há tempos. Desde que este blog foi concebido. Ela é uma dessas pessoas adoráveis que a Internet me propiciou conhecer. Faz dois dias que a vejo em carne e osso. Jô nos levou para bater perna nos pontos mais urbanos de Teresina. Fomos em mercados de artesanato, teatro, casas de cultura e num lugar chamado “troca-troca”. Não é um point gay. É um ponto que mais parece um camelódromo, mas é onde as pessoas trocam objetos. Repito: objetos. “Lá você consegue trocar uma caneta por uma mulher”, disse Jô. “Eu posso trocar David por Gianechinni?”, perguntou a muito donzela Uliana. Mas claro que ela não conseguiu. Afinal, seria muita desvantagem para as mulheres de Natal.


Sepultado por Finado Dante e tal, às 17:59
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